quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Um bilhetinho



"E você precisa viver!!! Precisa de alguém que faça você se livrar das barreiras, que te dê coragem, que te impulsione. Eu não vejo ele fazendo isso tão bem...
Não sei. Eu acho que você tem que viver, amadurecer e virar esse jogo aí. Pq eu sei que é dele que você gosta. Afinal, já se foi tanto tempo..
Mas, se por outro lado você tiver que esquecer.. não será o primeiro, e nem será o último certo? Eu to usando a minha capacidade de perder rápido o foco com as coisas certas, pra tentar perder o foco de certas pessoas, e tá dando certo."

Sabe aquelas pessoas que você ama muito? E que mal sabem elas, mas são elas que te ajudam a impulsionar a procurar outras pessoas que te impulsionem!! Adoro receber bilhetinhos de pessoas certas. Essa rotina me faz bem.

Bom, agora virou um monólogo. E fica difícil virar tudo sozinha, preciso de um outro alguém. 
(aqui ela olhou para o espelho, então soltou o seu maior segredo: porém, não é fácil)

Thati.oc



quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Apaixone-se



Me calei, e não deu certo. Em seguida, gritei várias vezes, porque definitivamente você precisa se posicionar, não tem como ser meio termo. A vida te pede isso, o começo ou final pede esclarecimentos. As coisas esquentam e esfriam, oscilam sempre desta maneira. Até o momento em que você encontra pessoas que te facilitam a viver. O passado precisa ficar para trás (não consigo!), não tem como viver da incerteza do que não foi. Aquele friozinho na barriga da incerteza do futuro é mais excitante. Outros olhares que tirem a sua respiração, que te impulsionem, te acompanhem sem medo algum, é disso que a gente precisa! A gente deveria viver, nos permitir! Eu quero uma aventura. Mesmo que agora seja eu pra lá, e você pra cá. Acho que tem que ser assim. Não quero dançar sob a nostalgia, eu quero um samba novo, preciso de um amor sólido nas amizades e nos relacionamentos. Ao mesmo tempo que sinto um vazio, eu sinto que o novo está chegando. Agora as coisas precisam seguir o seu rumo.

Agora eu falo baixinho, beijo de mansinho, ando devagarinho, te olho rapidinho... "porque quem vai de não, não chega, não".

Thati.oc

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Pausas



Apaguei as luzes, sentei no chão, e ali eu parei, respirei e senti. A janela permaneceu aberta, e eu podia ver o céu, os planos, e o que era para sempre. O tempo parou...
Que sensação mais estranha. Pensar em você tem sido algo constante. O que é um saco também, porque você não se permite, e hoje eu só me doou para quem se permite (é ruim sentir algo sozinha, você sempre fala entre linhas, e eu fico tentando decifrar, mas na verdade posso estar só pirando, porque você pode não querer dizer nada). Mesmo eu que lutei tanto para não sentir nada por você (sempre tive medo), hoje eu vi que sempre senti.

Cala. Respira. Chora. Sorri. Sente. Grita. Fala. Esconde. Pausa. Amizade.

Estamos nesta constante pausa. Quando um fala, outro cala. Quando um sente, o outro se engana. E agora parece que ficou tudo mais difícil. Essas pausas me deixam vazia. Queria poder mudar tudo entre a gente, tem como ser mais fácil. Mas agora a responsabilidade é do vento. Mas vale pensar que quem deixa a porta  aberta é a gente. Estamos dispostos?

Ao mesmo tempo que me perco nas possibilidades, ela é a única que até hoje conseguiu me trazer a sensação de conforto.

Thati.oc


segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Entre as bitucas de cigarro

O cinzeiro cheio de bitucas, a janela escancarada e o vento frio invadindo o apartamento vazio.
Só um corpo habitava ali.
Um corpo, mil confusões, milhares de impulsos, inconstância de alma que nunca se viu.
O peito apertava, a respiração não sabia por onde respirar, não sabia por que respirar, e ela se mantinha em pé com mais um cigarro em mãos - tragando a fumaça como se as coisas pudessem se arrumar assim.
A vida parecia de ponta cabeça, não terminava nada.
Não começava nada.
As coisas começavam a dar certo pra logo darem mais errado ainda e, como se fosse justo com ela, se arrebentarem em chateação, encheção, birrinhas que: "Acredite, já não tenho paciência pr'essas coisas".
Dialogava sozinha no quarto lotado de almas, todas expostas em suas paredes.
Se perdia em falas vazias e sem sentido.
Já não sabia aonde ia, da onde vinha, pra que iria.
Se perdia e logo fugia.
Fugindo, desaparecia de si e podia respirar um ar que não lhe perseguia todos os dias, que não era aquele mesmo de sempre. Buscava outros ares. Ares que inflamassem seus pulmões e a fariam viva, atenta, curiosa por um novo cheiro, uma nova cor, por mil sabores.
Sabores ansiosos por sua língua - sua língua e a de mais ninguém.
Fugir, quem disse que podia ?
Exalava o cheiro da liberdade - flutuava em desejos e vontades.
Alguém lhe agarrava os pés, chão.
Uma bituca voava
Mesmo cigarro, mesma fumaça.

Priscilla Fierro (lamentando pelos que são liberdade e há quem lhes traga pro chão)

[Des]amor

"Coração fica pequenino, parece que quase deixa de querer bater
Tá desistindo. Já desistiu ?
Parece cansaço, chegada hora em que coração pensa que seguir batendo não vale mais a pena,
já foi pra nunca mais.
Quer dormir uma soneca pós almoço de família,
os olhos fecham, fica devagarinho querendo matar o dono de coração.
Pesado, apoia os cotovelos na mesa e suspira forte uma batida lenta,
espaçada,
Triste.

- Vem, descansa, coração."

Priscilla Fierro

sábado, 3 de novembro de 2012




Não sou escravo de ninguém
Ninguém, senhor do meu domínio
Sei o que devo defender
E, por valor eu tenho
E temo o que agora se desfaz.
Viajamos sete léguas
Por entre abismos e florestas
Por Deus nunca me vi tão só
É a própria fé o que destrói
Estes são dias desleais.
Eu sou metal, raio, relâmpago e trovão
Eu sou metal, eu sou o ouro em seu brasão
Eu sou metal, me sabe o sopro do dragão.
Reconheço meu pesar
Quando tudo é traição,
O que venho encontrar
É a virtude em outras mãos.
Minha terra é a terra que é minha
E sempre será
Minha terra tem a lua, tem estrelas
E sempre terá.
II
Quase acreditei na sua promessa
E o que vejo é fome e destruição
Perdi a minha sela e a minha espada
Perdi o meu castelo e minha princesa.
Quase acreditei, quase acreditei
E, por honra, se existir verdade
Existem os tolos e existe o ladrão
E há quem se alimente do que é roubo
Mas vou guardar o meu tesouro
Caso você esteja mentindo.
Olha o sopro do dragão...
III
É a verdade o que assombra
O descaso que condena,
A estupidez, o que destrói
Eu vejo tudo que se foi
E o que não existe mais
Tenho os sentidos já dormentes,
O corpo quer, a alma entende.
Esta é a terra-de-ninguém
Sei que devo resistir
Eu quero a espada em minhas mãos.
Eu sou metal, raio, relâmpago e trovão
Eu sou metal, eu sou o ouro em seu brasão
Eu sou metal, me sabe o sopro do dragão.
Não me entrego sem lutar
Tenho, ainda, coração
Não aprendi a me render
Que caia o inimigo então.
IV
- Tudo passa, tudo passará...
E nossa história não estará pelo avesso
Assim, sem final feliz.
Teremos coisas bonitas pra contar.
E até lá, vamos viver
Temos muito ainda por fazer
Não olhe pra trás
Apenas começamos.
O mundo começa agora
Apenas começamos 

Thati.oc

Com ou sem suín, com ou sem suín



É uma tristeza cheia de ausência. Sabe quando você acorda e você se sente protegido e com pessoas boas ao seu redor?  E então, depois quando tudo passa, e chega o final do dia você descobre que já não tem mais ninguém que você queria que estivesse? Nada funciona com essas pessoas que restaram, ou chegaram. Tudo começou assim, a única diferença é que ainda não terminou.
É bom quando toca a sua música favorita e você começa a dançar, e quando nota já se entregou no seu ritmo. Porém, quando você sente que desta vez você terá que dançá-la sozinha é pior. É como se tivesse sido abandonada. Primeiro, eu tive que me despedir de tudo, mas eu acreditei que seria melhor (ainda tento acreditar). Mas conforme o tempo passa, de quem eu sentia saudade, já não sinto mais, de outros só me acostumei com a saudade, e outros se ausentaram com a maior rapidez que quando fui tentar pensar nestas pessoas, já não me lembro mais onde era para eles estarem. Ou seja, no final aquela proteção foi embora, e agora eu tenho que me redescobrir sozinha, melhor seria ter alguém para me ajudar, mas não posso escolher nada. Talvez isso seja amadurecer, e é bom saber viver por si só, só não tenho certeza de como fazer isso. E nem se essa seria a melhor conclusão.
Pior deve ser ter que me convencer que está tudo certo, e que um dia tudo vai se encaixar. Mas na verdade é uma merda você ter que pensar nisso todos os dias, você tem que carregar seus escolhas, seu corpo, suas necessidades, a saudade, a esperança, a tristeza... É um peso enorme, queria ter comigo somente a tranquilidade, para que ora ou outra venha a felicidade como quem não quer nada. 
Para me ajudar um anjo me enviou uma carta (só pode ter sido um anjo), e dizia que era para eu não me desesperar, que tudo iria se acertar, aos poucos, mas iria. E que eu preciso escolher o que eu gosto de fazer e ir atrás disto. E sempre me lembrar que o mundo vai além de mim. 
Mas agora eu me pergunto... O que eu realmente gosto? Minha cabeça dói, meus olhos queimam, e a vontade de chorar volta sempre que eu penso nisso, e vejo que não tenho nada e nem vontade de fazer nada por hora. 

Aqueles velhos amigos não imaginam o que você sente, alguns só por não saberem e outros só por não perguntarem. E os novos amigos, talvez um dia, tomaremos aquela cerveja e, veremos no que vai dar. 

Thati.oc