domingo, 23 de junho de 2013

Decidi começar uma arrumação

Existe uma pulsação na bagunça do pequeno ambiente que acordo e durmo todos os dias. Uma pulsação estranha, pesada, densa, que me faz caminhar nas pontas dos pés com medo de pisar em qualquer coisa frágil demais, fácil de se quebrar. Caminho aos poucos, procurando algo aqui, perdendo algo lá, guardando, tirando, buscando conviver em harmonia nesse quartinho tão angustiante, desordenado, confuso, amontoado. É uma mesmice ambiental que grita com uma bocarra de ar que a mudança venha depressa. Mesmice de discurso, mesmice de necessidade, mesmice de mesmice da mesma coisa de sempre. Intenso sentimento de precisar, sentir vontade, querer colocar tudo em uma ordem cronológica e tranqüila, onde se possa caminhar, tirar, achar, guardar e não romper com tudo !
É pedir demais ter, por uma semana, o ambiente apaziguado em uma calma inexplicável ?
Aquela de um silencio confortável, com uma brisa no rosto e nenhuma dor nos pulmões....
O quartinho pede arrego. Pede que o deixe em paz em sua bagunça. Ele fica aqui, me encarando como um espelho limpo e direto, pedindo que eu deixe tudo como está.
O quarto tem medo de se organizar e se perder numa ordem que não lhe é familiar....

Priscilla Fierro (fragmentando-me)

sábado, 27 de abril de 2013

Notas de dormir III

"...eu tento te dizer que só amar basta, que o amor é esse sentimento poderoso que se sustenta sozinho, como aquele que sai no sábado a noite em busca de uma cerveja solitária e, sem parecer inibido pela multidão que não lhe acompanha, sorri e conversa com ele mesmo, ali em sua mente evoluída.
o amor é essa pulsação que só te aumenta de tamanho umas mil vezes.
daí que eu te repito que basta amar. que só amar basta. mas eu sei que essa maldita dessa madrugada chega e te derruba sussurrando as lamúrias de quem ama só ...
e as lágrimas aguam sua cerveja, e você deixa de ser solitário pra ser solidão..."

Priscilla Fierro (de algumas anotações feitas ao meio de noites compridas)

A vida e meus livros da vez:

"[...], o amor, por mais que se queira segredá-lo, torna-se visível, faz-nos falar coisas que o denunciam. Os olhos, que não sabem mentir, o trazem à luz:[...]"

- do livro Desde que o Samba é Samba, de Paulo Lins

"No instante em que Miu tocou em seu cabelo, Sumire se apaixonou, como se estivesse atravessando um campo e, bang!, um raio caísse [...] em sua cabeça [...]. Foi por isso que, a essa altura, não tinha importância pra ela que a pessoa por quem se apaixonou fosse uma mulher [...]"

- do livro Minha Querida Sputinik, de Haruki Murakami



Priscilla Fierro

terça-feira, 16 de abril de 2013

Vazio

A gente não tem noção do perigo que corre todos os dias. Tudo corre pelas nossas mãos, são coisas perdidas, são elas as oportunidades, a morte, os beijos, o sorriso, os olhares, os pensamentos... tudo muda, e a gente se sente sempre no mesmo lugar. 
Enquanto isso só ouvimos os passos da morte. Não temos para onde ir, é sempre um correria. É sempre as oportunidades perdidas por tanto pensar, enquanto estamos aqui de bobeira. Não, não, não, não...Não consigo aceitar isso.

Eu quero respirar, organizar este caos. Oh, e não estou falando da perfeição, estou falando da imperfeição mesmo. Já que estamos sempre parados, enquanto o mundo corre, por lamentarmos ou só procurarmos o que é perfeito. 
Ou seja? O perfeito não basta a ninguém. Chega de tanto só falar!

Agora parece que eu grito aqui sozinha. 
Tem alguém ai? 

thati.oc

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012



Amor é estado de graça
Vem quietinho
Na ponta do pé
Não dá susto nem cochicha
É nosso
Feito serpentina no carnaval
Feito comida italiana
E oriental também.
Amor quando é amor grita
Incha
Explode
Amor quando é amor
É amor
E mais nada.
É de graça
É leve feito o vento
É doce feito o teu perfume.
Amor é amor quando não é tristeza
Porque tristeza atrai dor
E dor pode até rimar com amor
Mas amor é amor
E dor... A gente deixa para outro poema
Porque esse é sobre amor
E mais nada.
Amor.

(Elizza Barreto)


Thati.oc

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

"A dor passa, aquele alguém "insubstituível" vai embora, o foco muda, o sentimento aumenta, a maturidade aparece, o que é verdadeiro permanece ou retorna. Início, meio e fim, sofrer, chorar, cair, surpreender, ressurgir, sorrir, ganhar, vencer, merecer. Isto é apenas um mero resumo da vida, sem entrar em detalhes é assim que acontece. Hoje estou melhor que há 2 anos atrás, eu quebrei a cara várias
 vezes até aprender, perdi a conta de quantas vezes quis pular do alto de um prédio, de quantos me decepcionaram, de quantas lágrimas eu segurei. Deixei pra trás um pouco da inocência mas carrego comigo muita fé e coragem, não costumo me mostrar exatamente como sou, gosto que descubram, que conquistem.
Me entrego a tudo que me encanta, de corpo e alma, vou com o coração e talvez sem muito uso da razão. Deixo os sonhos me guiarem, minhas teorias falarem por mim, meu lado negro me defender de gente ruim, eu vou indo, apesar de algumas quedas e leves tristezas acho o viver fascinante, o comparo como uma droga, quanto mais vivo, mais quero viver, quero mais e mais, menos de nada, experimentar tudo: ter inimigos, desafiar, provocar, amar descontroladamente, cometer pecados, ter paixões quentes e conhecer o amor mais doce e puro... vivo nos extremos, não gosto do meio, detesto em demasia ou amo enlouquecidamente.
Tudo ao seu tempo, aceitando os fatos e nunca esquecendo que os momentos sempre passam, que lugar de passado é na memória, que lugar de sonho é na realidade e que nem o menor acontecimento é por acaso."

(Victória Ramos)








Thati.oc

domingo, 9 de dezembro de 2012

Algumas sensações I

"...toda vez que confirmo que você não sente nada por mim;
é uma pontada no peito, uma facada no estômago;
uma topada no dedinho do pé."

Priscilla Fierro (um bilhetinho perdido e estranhamento encontrado em um dia estranho)