sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Conversinha interna.



- Ah, Deus !!! Você só pode estar brincando comigo.
- Não brinco com coisa séria.
- Você é muito infantil !
- Você ama me apontar defeitos, né ?
- ...
- Você ama me apontar defeitos, defeitos e mais defeitos !
- E você ama se inventar defeitos.
- Só queria um pouco de carinho, de elogios, de palavras lisas.. não ásperas.
- Eu te dou o que você quer que eu te dê. Te digo o que você me faz ver. A culpa é toda sua !
- E você não pode tentar me mudar ?
- Tentar te mudar ? É uma preguiça essa que te consome, nem cuidar de você, nem se fazer, nem se erguer consegue !
- Eu já cai e levantei muitas vezes, talvez eu não tenha tido quedas o suficiente grandes para o mundo lá fora mas, para esse aqui dentro, foram quedas bastante significativas.
- Você só busca problemas, percebe ?
- Sabe, quando me levantei senti, sim, o vento em meu rosto. Mas ele passou...
- Você está sempre querendo brigar, esperniar, cheia de birrinhas tolas, medos inventados, falas carentes e pesadas. Hipocrisias sem fim ! Que fim !!
- Queria que você tentasse me ver.
- Você se apaga, você apaga tudo e afasta tudo ! Vai acabar só e a culpa vai continuar sendo sua.
- Eu sei.
- E você sempre sabe tudo, mas só saber não adianta. Você me cansa !
- Eu me canso também.
- ...

Pri Fierro, sem buscar sentido em nada.

Respirar



Quando ele precisou falar, foi quando não conseguiu, cada palavra e som voltaram para dentro dele como uma bolha de ar. Queria apenas viver da forma mais leve. Ele virou para o amigo e disse:

‘ – Eu admito crio expectativas em cima de meus sonhos, e acredito que essa pode ser uma das melhores formas de viver, ao menos para mim, pois não sonhar e não esperar, é como aceitar o fato de que as coisas não são tão boas assim, e para mim nada tem um fim é sim um começo, e que esse começo seja sempre com um ‘final feliz’. ’   

Mas, agora doía não saber dizer o que queria, e não conseguir lidar com o fato de não saber se posicionar de forma diferente, já que os que estavam ao seu redor sempre viam tristeza, onde ele continuaria buscar uma paz, e ignorar os julgamentos feitos sobre o seus modos de pensar e agir.

Lidar com tudo isso dentro dele era difícil, a questão era saber como ele conseguiria lidar com ele próprio, sendo que hora ou outra sempre se contradiz na verdade que ele jamais ousou acreditar que era fantasia! Dela ele nunca duvidou, e mesmo com as turbulências não iria deixá-la de lado. Apenas queria sentir a primavera como ela é, e ainda não sabe como, mas quando descobrir irá gritar da janela que se sentia preso ao anoitecer.

thatiane.oc

domingo, 14 de novembro de 2010

Distração simples.



O sono das onze da tarde era o mesmo de qualquer hora de seus dias. Tinha muito sono por não conseguir descansar quando podia dormir, dormia, mas não descansava: 'um verdadeiro problema essa sua mania de não dormir !'. Tinha esse costume desde pequena, era um bichinho noturno (ainda que tivesse medo da noite). Não havia criado muitas expectativas para aquele dia, era só sono, o mesmo sono de sempre. Pra falar bem a verdade, não criava expectativas para nenhum de seus dias, mesmo aqueles que pediam expectativas. Havia sim uma voz que lhe fazia mirabolantes ideias do que poderia passar no decorrer das horas, mas ela sempre a afastava com um ponta pé, não queria construir nada que poderia não começar nem com uma simples demolição.

Para ela, naquele metrô, meio cheio, meio vazio, as expectativas não valiam a pena.
Não valiam a pena porque nunca alcançavam o nível que esperava em si. Não valia a pena pelo sono que lhe consumia a alma preguiçosa, nada faminta daquela vida. Simplesmente olhava pela janela do metrô, o túnel escuro, e via como aquele nada passava rápido por seus olhos tontos que tentavam acompanhar todos os acontecimentos do mundo. Por preguiçosa, nunca conseguia. Expectativas. Tinha um sono mortal ! Fechou os olhos e respirou fundo ao encostar a cabeça na janela suja do transporte coletivo, não era cama mas tinha uma facilidade de dormir melhor fora dela.

Então, em um segundo, o banco já não era só seu, um calor invadiu suas coxas vestidas pela calça jeans e um braço de manga curta roçou sua pele nua pela regata. Os pelinhos se agitaram com o contato, sentiu um arrepio na espinha e abriu os olhos com rapidez e força. A luz, ainda que fraca, a cegou, mas o queimar da íris não a fez exitar ao virar o rosto para ver quem havia mexido com seu sono, seu corpo, sua aura. Era um alguém, um qualquer alguém, como todos os alguéns ali presentes. Tinha o seu atrativo de alguém, a barba castanha escura, que cobria parte do rosto, deixava a mostra uma boca séria. 'Que narizinho lindo', pensou quando subia a visão aos olhos que, no mesmo instante, a encararam de uma forma oculta e surpresa, fazendo com que a cara esquentasse, vermelha, e o sono saísse correndo com medo ante tal interrogatório silencioso que os olhos do alguém lhe faziam. Esboçou um pequeno sorriso envergonhado e olhou adiante, dura, imóvel, quente e fria de uma só vez. Expectativas, besteiras !

Sentiu que seu acompanhante se mexia inquieto, procurando uma posição de pernas, braços, tronco e olhar. Olhar, a olhava de cantinho, examinando quem lhe examinava antes. Ela seguia dura, sem se mexer, sem respirar. Mas a visão panorâmica da situação lhe permitia ver a mão, branca e grande, caminhar pela perna longa até a outra mão, voltar para a perna, passar pela mochila azul marinho, coçar a barba e arrumar os cabelinhos da nuca, aqueles que ele mesmo cortava. Coçou a testa, franziu a boca, mexeu o pescoço, a deixou inquieta. A inquietação de ambos virou dança, onde o coçar, o roçar, o mover virou ritmo de corpos, de sensações, de expectativas criadas em suas cabeças mecânicas que não paravam de pensar um só minuto em tudo aquilo que acontecia ali, em todos os senhores que entravam, nas grávidas que passavam, nos trabalhadores que dormiam, nas crianças que gritavam, nos estudantes que riam, nos casais que beijavam, nos alguéns sozinhos que encaravam e olhavam, observavam.. O calor das coxas aumentava, a tensão passara, as mão não paravam quietas, os olhos encaravam através do vidro, encaravam de frente, agora, de lado, depois. Ele não sabia, ela não tinha expectativas.

As horas passaram com cada movimento, com cada respiração, cada roçar. Não sabiam seus nomes, não sabiam nada um do outro. Ora, a estação !

Pri Fierro

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Consequências



Fechar ou abrir os olhos, voltar ou partir, o que sei é que cada escolha sempre terá sua reação. Se será certo ou incerto, nem sempre tem como prever, a questão é ser e escolher sem receio. E lembrar-se que cada instante é o suficiente para a mudança existir.
E hoje tenho a certeza que os pequenos momentos são sempre os maiores. 


thatiane.oc

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Deixe ser



Penso em colocar tudo o que sinto em palavras, mas tenho receio... Parece que tudo pode se espalhar, mudar de lugar. Foi como em uma noite de turbulências, eu senti o que não sabia que tinha em mim, ou apenas como sempre, eu ignorei.  Mas eu vi, eu senti, eu corri atrás, não de você, mas do que eu venho guardando há tempos. O alivio foi grande quando soube que não estava sozinha, e que nada foi apenas uma imaginação, e tudo estava prestes a ser palpado.
Olho para isso que temos como um sentido que não precisa de definição para saber que está onde tem que estar, ou estará (estaria). Mas eu sei que tenho que esperar, e que a resposta pode não ser a certa, mas eu sei que será a melhor. Desculpe-me por não ter batido na porta antes, e ter esperado em um dia chuvoso você abrir a porta porque eu não agüentei mais e gritei isso que estava em mim.
Falei o que devia, e o que não devia, talvez. O receio maior é ser deixado de lado o olhar para sentir. Falei que meus sentimentos estão apenas em achar, o que na verdade quer dizer a certeza, mas tenho receio, pois o medo é maior que do sentir. O medo que existe é o de arriscar uma das coisas que mais tem valor. Achar é quando se perde algo, e na verdade, eu nunca perdi o que sinto, mas ao mesmo tempo eu sinto que estou arriscando a deixar de lado a possibilidade de não sentir o que poderá mover as coisas.
A culpa é minha, quem saberá? Na verdade isso surgiu sem explicação, sem razão. Os dois estão buscando uma razão, um motivo para arriscar, mas de fato é preciso dele? O que existe não pode se apagar, mas o que não existe poderá fazer mudar, ora para melhor e ora para pior.
Sempre me pergunto, por que não fiz isso antes, eu teria me privado de deixar de não sentir as coisas. Ao mesmo tempo em que senti meu coração respirar, agora ele respira aos poucos, ansioso esperando a alegria chegar com todas suas conseqüências. Escrevo isso não sabendo qual é a melhor coisa a se fazer, mas eu escrevo porque quero sentir a cada segundo que tenho pensando em você. Deixar de lado para pensar não é a solução, não sei mais onde estou pisando... Aliás, acredito que estamos voando esse tempo todo, só não tivemos coragem de nos encontrar. Não acredito que tudo possa dar errado, talvez algumas, e quando der quero que saiba que vou fazer o impossível se tornar possível com lembranças de sorrisos. E saber sempre que se foi sentido faz algum sentido. 
O que sinto por você, se é ou não eu não sei, mas esse sentimento é singular, é a incoerência que mais faz sentido para mim. É dela onde busco as perguntas, não preciso das respostas, preciso sempre do olhar sincero, como sempre foi e sempre será.
Acredito que o essencial está em viver e voar.

E meu pergunto, será mesmo que vamos ignorar isso?

'O vento vai dizer
lento o que virá' Los Hermanos - O vento

Thatiane.oc

domingo, 10 de outubro de 2010

Labirinto


            Não entendo. Mas vi o tamanho da estupidez, ou diria frieza do ser humano. Não há um entendimento sobre ser um humano de verdade. Verbo ser, no presente, passado, futuro, qualquer forma, as pessoas deveriam tentar ser.
Quero a paz da insônia. Notei que acordei pela madrugada um dia desses e eu estava ou ele, sentado na cama, com olhos fechados, espere! Não, estavam abertos, mas a escuridão não o fez ou me fez ver nada. As palavras se encontravam como em um labirinto, todas em um caminho perdido, procurando as pistas jogadas pelo ar ou apenas estavam procurando jogá-las para o seu próprio subconsciente, porque amanhã será outro dia, e estará  sentado observando tudo, mais uma vez.
            
           Por fim, todas as sensações e ilusões, juntas às palavras se encaixaram, logo, notou que era apenas a claridade que não a deixará enxergar nada. A escuridão foi criada pela claridade e por sua mente, nada se tornou tão doloroso quanto ao saber que outra noite estaria tão próximo a seu corpo, e fazia com que esse calor não fosse embora e que tudo está em torno de si, e que cada um é responsável pelo que cria e busca, pois somos o que acreditamos ser, sempre.

                                                                 Ou seria eu? 

'Não se trata de ser ou não ser,
Trata-se de ser e não ser.' - Manuel Bandeira 


thatiane.oc

A busca e o encontro



E então descobri o tudo do nada.

 (-Tem como?)

O que foi descoberto não tem sentido algum, ao menos para mim. Tudo se perdeu ao meio de vestígios de felicidades e sutilezas. Desnecessário. Sim, essa seria a busca de todo o significado que sinto. Para que se destilar de tantas intenções? Intenções para esconder o que nunca me deu valor, e sabia tamém que nunca dei valor, talvez porque não fosse pra ter ou porque eu sinto sempre que cada um tem o que merece. Sim, cada um tem. Não que precisem sofrer sempre, mas tem que apren... Bom, não vou me explicar.

(- Cansei disso também.)

O descoberto me fez ver que tudo serve como escala, uns sofrem o retrocesso outros estão estatizados, e por último tem aqueles que conseguem voar.

 (-Sem tramas e sem dramas.)

 O fim sempre é o começo! Sempre ouvi dizer sobre essa história. E em uma noite de sonhos ou insônias, notei que essa história soa como se nada tivesse um fim, tudo em uma escala, onde o fim ora é visto como um suspiro, por notar que o sol estará lá quando amanhecer e começar com outra história. Ora também o fim te deixa sem chão, sem peso para conseguir sentir a realidade. Mas, tudo bem... Quando comecei a sonhar ninguém me disse que seria fácil. E amanhã verei que tudo que é fácil, nem sempre é o que busco em mim.

‘Mas eu sei
Que vou ter paz antes da morte
Que vou comer um dia
O delicado da vida
Vou aprender
Como se come e vive’ – Clarice Lispector



thatiane.oc